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Vcoê é cpaaz de ler etse txteo com lteras torcdas ou msm sm algms ltras? Agora pensa em um chocolate quente bem cremoso fumegando na caneca. Você já sente um leve gostinho só de ler essas palavras ou pelo menos deu água na boca?

Por que isso acontece? Neurocientistas dizem que é porque nossa mente é preditiva e não reativa.

Outro exemplo é um experimento realizado recentemente, em que cientistas ofereceram um prato de carne para 2 grupos diferentes de pessoas. Para o primeiro grupo, os pesquisadores disseram que a carne era orgânica, criada em uma fazenda com cuidados especiais. Para o segundo grupo, contaram que se tratava de uma carne produzida em uma grande indústria. Na verdade, tratava-se da mesmíssima carne.

Resultado? O grupo que comeu a carne embrenhada da narrativa orgânica não só reportou gostar mais do prato, como também comeu quantidades maiores! 

O que é uma mente preditiva?

Uma mente preditiva significa que partimos de nossas experiências passadas para construir a realidade.

Como assim? Quando você leu o texto com letras trocadas ou quando sentiu água na boca apenas por pensar sobre chocolate quente, seu cérebro estava fazendo exatamente isso, usando informações básicas do mundo para prever e construir a realidade a partir de suas memórias, suas experiências passadas.

Alguns neurocientistas chegam a dizer que a realidade é uma alucinação controlada, porque ela é construída não apenas pelo mundo externo naquele momento, mas também por vivências passadas. Tudo acontece de forma muito rápida, quase automática. Se quiser saber um pouco mais, recomendo este TED.

Por que isso é relevante para aprendizagem e treinamento?

Experiências passadas e gasto de energia

Porque isso reforça o quanto é importante levar em conta a experiência passada do aprendiz adulto, um dos princípios da andragogia. As experiências anteriores ajudam a construir nossa realidade. Se as desconsideramos, dificilmente vamos criar a conexão necessária para mobilizar o adulto para a aprendizagem.

Outro ponto envolve nosso custo metabólico. Quando as previsões do nosso cérebro são acertadas ficamos muito mais confortáveis, já que esse é o nosso automático. Precisamos de menos energia.

Por outro lado, nossas previsões podem estar erradas. Se aquele chocolate quente que comentei no início estiver salgado, você vai levar um susto. Você vai se conectar com a realidade externa, sair do automático das previsões. 

Esse “choque de realidade” pode ser desconfortável porque exige um maior consumo de energia do nosso corpo.

O primeiro passo para aprender é um “erro de previsão”

Só que, para aprender, precisamos passar por esse processo de nos abrir para o novo, de receber informações externas. Nesse sentido, aprender é um “erro de previsão” do nosso cérebro. E por isso aprender uma coisa nova é também um dos processos que mais consomem nossa energia. Pode ser cansativo.

Ao mesmo tempo, há um outro efeito desse processo. Do ponto de vista da evolução, precisamos conservar energia para sobreviver bem e por mais tempo. O cérebro evita desperdício de energia. Ele só se mobiliza e gasta oxigênio e energia naquilo que faz sentido para a gente. 

 

Para aprender, é preciso se importar

Em outras palavras, só nos conectamos e refletimos profundamente sobre o que nos importa, porque nossa tendência é evitar gastos metabólicos desnecessários. E, para o cérebro, uma coisa é importante quando nossos sentimentos sinalizam que ela é relevante (não a racionalidade).

Assim, a conexão entre a solução de aprendizado e os aprendizes precisa existir além da simples necessidade prática. É preciso haver uma conexão que estabeleça sentido afetivo para a pessoa. Por exemplo, o compartilhamento de histórias e a conexão com sentimentos como paixões, preocupações ou medos do dia-a-dia.

De qualquer forma, escutar o aprendiz sem julgamentos é um primeiro passo importante para uma solução de aprendizagem. Só assim é possível compreender o que realmente faz sentido para ele ou para um grupo de pessoas.

Em resumo, nosso cérebro atua por previsões, porque assim somos mais rápidos e consumimos menos energia. É mais confortável. O aprendizado parte de um “erro” de previsão, que pode ser mais cansativo e demandar mais energia. Essa mobilização só acontece se fizer sentido para o aprendiz. E, para fazer sentido, precisamos de conexão.

E aí, faz sentido para você?

Por Nira Bessler, lifelong learner, especialista em aprendizagem de adultos e apaixonada pelo tema.

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